A Declaração
de Salvador
Sábado 15 de julho de 2006
"Nós, os participantes da 2ª Conferência
de Intelectuais da África e da Diáspora - 2ª
Ciad, reunidos em Salvador, de 12 a 14 de julho de 2006:
Recordando a 1ª Conferência de Intelectuais da
África e da Diáspora - 1ª Ciad, realizada
em Dacar (Senegal), de 6 a 9 de outubro de 2004, sob o tema
geral "A África no Século 21: Integração
e Renascimento";
Concordando em que o tema da 2ª Ciad, "A Diáspora
e o Renascimento Africano", agrega e enseja perfeita
continuidade em relação à 1ª Ciad;
Reconhecendo a mportância da participação
do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva, que abriu os trabalhos da Conferência;
Expressando à Comissão da União Africana
e ao Governo da República Federativa do Brasil seu
apreço pela organização da 2ª Ciad,
iniciativa que lança as bases para uma cooperação
permanente entre a União Africana, principal organização
do continente, e os países da Diáspora;
Destacando a riqueza dos debates ocorridos nas três
mesas redondas e doze grupos temáticos;
Comunicamos que A crescente consciência de uma cidadania
africana, com suas repercussões políticas, econômicas
e culturais, e o entendimento dos Estados da África,
reunidos em torno à União Africana, constituem
elementos essenciais ao Renascimento Africano;
A Diáspora africana, presente em todo o globo terrestre,
representa parte fundamental do patrimônio cultural
e político africano e mantém viva a consciência
de suas origens;
As comunidades de origem africana enfrentam dificuldades
de variada natureza em seus países e um real encontro
da Diáspora com suas raízes ancestrais tem papel
fundamental na superação dessas dificuldades,
podendo os Governos e a sociedade civil contribuir para as
soluções por meio de uma maior consciência
da cultural africana;
O encontro de intelectuais, no contexto da Ciad, incentiva
e contribui para a integração da Diáspora
com suas origens ancestrais;
O desenvolvimento da África será dinamizado
por meio da contribuição da Diáspora
Africana;
A 1ª e 2ª Ciad se apresentam como relevantes mecanismos
para a compreensão global do Renascimento Africano.
Declaramos que A 2ª Ciad realça a necessidade
de que o diálogo entre os intelectuais africanos e
da Diáspora seja mantido entre e após as reuniões;
A União Africana deverá promover atividades
da Diáspora como parte importante de seu organograma
e reforçar e apoiar o Departamento da Sociedade Civil
e das Relações com a Diáspora (Cido),
responsável pelos contatos com as comunidades de origem
africana em outros países;
As comunidades africanas e os países da Diáspora
devem apoiar o trabalho do Departamento, em particular, e
da Iniciativa da União Africana para a Diáspora,
em geral;
A União Africana deverá estabelecer o Comitê
de Coordenação de Intelectuais para auxiliar
a Comissão da União Africana nos preparativos
da 3ª Ciad.
Na melhor tradição da investigação
intelectual com responsabilidade social, aspiramos a trabalhar
juntamente com o Comitê de Coordenação
para promover a cooperação estratégica
entre os intelectuais e autoridades governamentais na África
e na Diáspora, por meio de mecanismo organizados e
sustentáveis. Também buscaremos desenvolver
modalidades para a coordenação da pesquisa,
do ensino e do diálogo, bem como outras atividades
de interesse estratégico, para dinamizar o Renascimento
Africano e integrar essas atividades com aquelas da União
Africana e
outras iniciativas multilaterais.
O Governo da República Federativa do Brasil, anfitrião
da 2ª Ciad, e a União Africana deverão
considerar a criação de um Centro Internacional
da África e da Diáspora que, entre outras atribuições,
funcionaria como um dos pontos de referência para ampliar
a cooperação entre as organizações
e instituições acadêmicas, intelectuais
e artísticas africanas e da diáspora, promovendo
reuniões setoriais, projetos científicos, seminários,
manifestações artísticas e encontros
de jovens, entre outras atividades, a fim de adensar e encorajar
um pensamento africano mundial.
A Organização das Nações Unidas
para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
é convidada a incluir em seu programa e orçamento
para o biênio 2008-2009, e para sua estratégia
e médio prazo 2008-2013, o apoio a atividade de seguimento
da 2ª Ciad e outras iniciativas que promovam o estreitamento
dos laços entre a África e a Diáspora;
A 2ª Ciad é um marco das estreitas relações
entre os países africanos e os países da Diáspora
e testemunho da crescente importância da África
no mundo;
A concretização do Renascimento Africano é
elemento essencial para que o século XXI inicie uma
era em que todos os povos e países tenham acesso à
riqueza e à cultura, em pleno respeito da dignidade,
dos direitos e dos valores das crianças, mulheres,
idosos e homens de todas as etnias e crenças."
|