Uma longa trajetória
de organização do combate ao racismo
A trajetória de organização da população
negra na diáspora tem sido marcada, nacional e internacionalmente,
por Encontros, Conferências, Convenções
e Congressos.
No Brasil é importante lembrarmos do I Congresso Afro
– Brasileiro realizado em Recife/Pernambuco no ano de
1934 e o II Congresso Afro – Brasileiro realizado em
Salvador/Bahia em 1937, dois congressos de caráter
acadêmico e/ou científico organizados pela intelectualidade
brasileira da época.
No ano de 1945, enquanto no exterior era realizado o V Congresso
Pan-Africanista, na cidade de Manchester na Inglaterra, em
São Paulo, estava sendo organizado pelo Teatro Experimental
do Negro, a I Convenção Nacional do Negro, que
lançou um manifesto à nação propondo,
entre outras reivindicações, a formulação
de uma lei anti– discriminatória.
Um outro momento importante foi a Conferência Nacional
do Negro, instalada em maio de 1949 que reuniu representantes
de organizações negras de vários Estados
como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio
de Janeiro e Bahia.
A Conferência visava articular um programa para organizar
a comunidade negra e ampliar a consciência popular a
respeito do caráter racista das teorias antropológicas
e sociológicas convencionais. Entre os conferencistas
estavam Abdias do Nascimento, Edson Carneiro, Guerreiro Ramos,
Roger Bastide, Florestan Fernandes, Aguinaldo Camargo, entre
outros. Esta conferência deu continuidade aos seus trabalhos
através da criação de um comitê
de organização do I Congresso do Negro Brasileiro,
que foi realizado no Rio de Janeiro no ano de 1950.
A trajetória atual de organização da
população negra tem como referência a
realização no dia 7 de Julho de 1978 de um Ato
Público nas escadarias do Teatro Municipal de São
Paulo onde foi lançado o Movimento Unificado Contra
a Discriminação Racial (MUCDR), depois transformado
em Movimento Negro Unificado (MNU).
Grupos e entidades negras são criados entre os jovens,
as mulheres, os sindicalistas, os religiosos, os esportistas,
os empresários e diversas formas de organização
da população negra brasileira. Surgiram as iniciativas
de articulações por Estado, por Região
e em âmbito nacional. É bastante significativa
a realização dos Encontros Regionais de grupos
e entidades do Sul/Sudeste, Centro/Oeste e Norte/Nordeste.
A região Norte/Nordeste foi quem mais avançou
nesse processo chegando a realizar o X Encontro das Entidades
Negras das Regiões Norte/Nordeste.
Como decorrência dessa mobilização surgem
importantes entidades de âmbito local ou regional e
importantes organizações e articulações
nacionais ganham visibilidade no cenário político
do país.
Destes encontros surgiu a necessidade de convocar um Encontro
Nacional de Entidades Negras (ENEN) que foi realizado em 1991,
na cidade de São Paulo, onde foi criada a Coordenação
Nacional de Entidades Negras, a CONEN.
Toda essa movimentação fortaleceu a ação
de militantes, negros e negras, organizados em grupos e entidades
em praticamente todas as regiões do país, cumprindo
a principal meta no período, que foi derrubar o mito
da democracia racial, denunciando o racismo em nosso país.
Realizando uma ponte entre esses momentos importantes de organização
da população negra com a atualidade, entendemos
que a realização do Congresso Nacional de Negras
e Negros do Brasil no ano de 2008 permitirá uma ação
conjunta de praticamente todas as organizações
do movimento negro brasileiro.
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